segunda-feira, 16 de abril de 2012

Não sei como as pessoas se poupam, em gestos ou palavras, aos seus próprios companheiros. Num jogo comum e imbecil de medição de forças e numa guerra de orgulho nociva. Dentro dele as pessoas não falam com sinceridade dos próprios sentimentos, não agem com coerência com a própria escolha(ou a falta dela). O medo de se fragilizar com a sinceridade deixa a vida a dois tão feia... O medo de se perder no outro, calcular as reações mais íntimas, rouba do outro o melhor de você; a nudez, a dois, é essencial, e não só na cama.

terça-feira, 10 de abril de 2012

A beleza desacompanhada não faz nenhum sentido mesmo. Santa a compreensão do homem que lamenta aquela moça tão bonita mas superficial, ou, pra não usar cerimônia, burra mesmo!
Esse feriado me deu umas horas na praia, de sol, frescor de mar, água de côco docinha e gelada, e reflexão... Quanto biquíni fio-dental hein minha gente?! Era bundinha vermelha e bronzeada enfiada num tecido lycra, que não é brincadeira!
A beleza tão explícita perde em sensualidade, delicadeza, mistério; até numa mulher em que a vaidade não é primeiro plano, encontrar o belo é mais prazeroso pra quem contempla e admira os adjetivos latentes. Quem acha que ressaltar está em penduricalhos, decotes profundos e encurtamento de roupa, só sabe de aparência, mas nada de beleza.
É numa dessas que eu confirmo a amizade com meu espelho, por ser esse cara sincero e autêntico, nem sempre agradável, mas muito sensato. Santa a persistência de quem se abstrai do bombardeio de alienação, que vem no pacote do "ter" em detrimento do "ser" e ainda piora, confundindo esses dois.
Foi Arnaldo Antunes quem alertou: "somos o que somos, inclassificáveis". E eu naquela praia pensando... Tanta gente não entendendo isso, e se esforçando tanto pra carregar algum rótulo.

sábado, 25 de fevereiro de 2012


A maior parte dos leitores, talvez os menos atentos, acha que todo escritor está contando a própria história em seus livros, ou torce para isso, quando o assunto é intrigante, revelador.
Talvez pensem o 'escrever' apenas como ato. Pega o papel e a caneta, e começa a cuspir sua história... E a parte em que escrever é arte?
Palavras podem ser um amontoado de letras, apenas, para alguns, mas para quem "escreve" elas tem sabor e poder. Quem escreve pode se deleitar com a palavra 'sapato' se ela estiver bem colocada e combinada numa frase, o que não significa simplesmente rimar; o texto por completo deixa cada palavra com particular gosto quando elas sao postas por um escritor.
Com os blogs também há esse pré julgamento. Pra começar, eles estão num espaço onde perigosamente tudo parece, ou é, público. E o blog na maioria das vezes tem a identidade do autor exposta, o livro também, mas pelas conexões que a internet oferece, fica mais fácil conhecer a identidade daquele autor; as intimidades são aproximadas, ou aparentam. E é aí que a curiosidade aumenta; o que alguém que divide o mesmo espaço que você tem a dizer, e como ele fala do que você também pensa.
É esse espaço compartilhado que confunde o pensamento de alguns, que julgam conhecer o escritor como se tivessem acesso ao seu diário pessoal.
Escrever vai sempre revelar, mas na maioria das vezes vai usar parcelas da verdade íntima, explícita ou implicitamente. Um autor não usa só de autenticidade, ele tem que encaixar a sua verdade num desejo alheio, e criar, ficcionar um pouco ou completamente a sua história.
Além do mais, quem escreve não pode esgotar sua essência, assim como o que ter a dizer. Se guardar, e se resguardar, faz parte de sobreviver ao processo de estar sempre se revelando.
O olhar sobre o texto trabalhado de alguém, não deve ser principalmente o de curiosidade em desvender quem escreve, mas de saber o quanto você leitor pode se ver, ou apreender. É você que se revela diante da arte.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Eu não quero me dar para mais ninguém.
É assim que se começa a sofrer um luto?
Não há substitutos, não há possibilidades,
deveria ser o que não deu para ser.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012


Vim aqui porque preciso atualizar meu conto de fadas.
Não podia saber o que seria, e deve ser por não dar atenção a essa lógica, que tenho o sentimento de ser tudo completamente diferente. A movimentação aparentemente frenética, das vidas lá fora, dá a impressão de que aqui acontece mais em câmera lenta. Tudo bem, acho que todo mundo que se envolve em rotinas e alimenta um ciclo, sente que só o seu mundo é redondo, e o dos outros tem tantas saídas.
Acontece que hoje tive dois pensamentos. Primeiro, ando assistindo muitas comédias românticas(?). Segundo, elas não fazem diferença na minha já persistente confiança em sentimentos ganhando o final feliz. Quando imaginava meu corpo muito menos parecido com o da minha mãe, e minha cabeça mais confiante, nem tinha chegado a puberdade e já era tão orgulhosa de mim no futuro.
Se precisasse de um olhar ameno sobre mim, pediria a qualquer um que definisse a minha vida hoje, mas a penitência, necessária, é o meu olhar sobre mim mesma. É o meu julgamento sobre a minha vida. É aqui que aprendo o que preciso e o que não posso. Pois lá vou eu.
Alguma parte da confiança aprendeu que precisa de menos sonho, e se foi, e os sonhos, necessários, que acendem uma fagulha na alma quando vai ficando tudo escuro lá dentro, pegaram um cantinho e estão quietos esperando a hora.
Numa música, Fagner canta “guerreiros são meninos no fundo do peito"... Acho que me acostumei a ter o fundo do peito exposto, a ser de cara limpa, e imagino que o caminho pra quem finge, é mais fácil. Mas, e pra onde foi meu guerreiro... Isso é pra dizer que, nem sempre o sentimento cabe no espaço onde você está, e aí já é uma parte do que você nem imaginou que seria o futuro, quando pra você tudo passa pelo sentir.
Bom, por isso o conto virou crônica, atualizei essa balela de final feliz, e estou indo aprender a começar, a significar o meu dia a dia. Ainda tenho muitas chances antes de chegar o/ao final.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011


Hoje eu lembrei de quem eu sou. Pelos olhos de vocês. Cinco sentimentos num laço de pertencimento, reconhecimento e acalanto.
Como é bom lembrar que mesmo envolvidos em nossos, por acaso, mundos particulares, quando saímos da casca temos o alívio desse encontro. É a mão do mundo que nos segura. Essas pessoas com traços individuais tão fortes, passando pelas vidas alheias com esforço para caber, para compreender, para ser entendido.
Na maior parte do tempo, é o silêncio que nos escuta, ou pelas máscaras, aprendemos a falar e a ouvir, mas hoje foi natural... As palavras, os sorrisos rasos e as gargalhadas, lágrimas silenciosas e as certezas. Hoje foi natural. Que bom.
Procurei o que mais dizer, que simples é o que não nos define, mas fiquei com a lembrança, que é a mais fiel palavra.

sábado, 1 de outubro de 2011

Mesmo o domingo mais feliz vai embora triste... Adiando os sonhos e se despedindo de mais uma chance.

Não queria admitir, mas também guardo o melhor de mim numa gaveta para começar uma semana, não posso me colocar por inteiro no ciclo de consumição dessa vida “moderna”; meu trabalho é me preservar das insuportáveis repetições alimentando os pensamentos. Acreditar ainda me salva...

Num esforço para sentir as coisas ao redor, fujo da anestesia que o mundo ensina; não quero me reduzir não quero me reduzir, não quero me reduzir... Repito, confrontando a imagem que vejo no meu espelho do mundo, que carrego comigo oito ou doze horas por dia. Se sobra algo no fim, de cada dia, tento construir a ponte entre mim e o lugar seguro que me guarda.

Mas o que ecoa é saber que sentar à margem é muito solitário... E que a vida pede para diminuir os sentimentos, para que eles caibam.

Tanto mais sinto crescer aqui dentro, tanto menor fica tudo aí fora.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Todo mundo tem uma história 'do' amor


"Então por que apenas não poupamos um ao outro de uma vida mundana de desapontamento esmagador e apenas fazemos isso com outra pessoa."


Um amor só cabe onde podem caber outros livres sentimentos.

Um amor tem que ser instrumento da liberdade, não deve punir, não precisa aprisionar em expectativas e fantasias.
Um amor tem que receber outro amor com simpatia, se oferecer para segurar sua bagagem; ele é casa para qualquer outro que esteja sem abrigo.
Um amor não tolhe, ele planta, ele cultiva.
Um amor nunca pediria silêncio a outro amor; sabe que tudo nele é grito.
Vamos lembrar de colocar do nosso lado somente aquelas pessoas que estão dispostas a nos receber com tudo. Já temos suficientemente pessoas que não escolhemos, e que querem dispensar uma ou outra parte de nós... Mas o amor não escolhe partes.





Imagem do filme "Os Românticos"

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Sempre fico como criança feliz quando tenho o território livre; para as minhas brincadeiras de cantar, olhar os livros ao redor me esperando, me emocionar com os cheiros, pensamentos, e qualquer coisa que aflore. Como criança, construo meu particular mundo nesses momentos e é exatamente a melhor maneira de sentir uma felicidade tranquila, sem expectativas, não ameaçada, porque é construída apenas na minha capacidade, na liberdade dos meus sentidos. Tão simples quanto dito em poemas.

domingo, 19 de junho de 2011

"O óbvio ululante"

Um amigo posta no facebook: “Porque livro nesse país é uma coisa tão cara? Sempre achei isso intrigante...” Sem muito esforço penso, e respondo: “É porque cd de forró é de graça.”
Antes de achar meu raciocínio arrogante, porque provavelmente você gosta, afinal você vive na cidade do forró, e o exercício mais fácil e rápido é defender o que se relaciona com os nossos sentidos, por isso mesmo respondi tão fácil a indagação dele. Pense.
Quantas vezes você aguardou ansiosamente aquele dia de folga para pegar o seu livro que está insuportavelmente interessante, e devorá-lo. Quantas vezes você se sentiu renovar com uma leitura intrigante, construtiva. (...?) E quantas vezes você usou o seu tempo de folga para ir a festas, ouvir a música de forró do momento, ou beber exageradamente até chegar o próximo dia? Ah, você não gosta de ler, fazer o quê. Então, fique ciente, você não gosta de saber, você não gosta de se posicionar, você não gosta de ter o mínimo de capital intelectual. E a minha leitura sobre isso não está sendo preconceituosa, mas factual.
O que também é fato é que, conheço pessoas que não tem contato constante com os livros, mas possuem uma sabedoria inigualável, pessoas que até não concluíram os estudos regulares, mas sabem tanto de vida... Isso se dá pela capacidade reflexiva, crítica, e não menos, pelo percentual de humanidade que elas alimentam e plantam em si mesmas.
Está certo que para ser sábio não é preciso diploma, mas não é se atendo ao mundano, frívolo, que se chega ao menos perto. E por que sabedoria? É dela que deve vir todo o resto que valha a pena...
Acreditando em sentimentos verdadeiros, em respeito, em paixão e compaixão, em um olhar ameno sobre os outros, acreditando em olhar além de si, acredito na sabedoria, sabedoria de viver. E a questão é que não se consegue essa sabedoria em músicas que falam de pegar, beber, gastar... Por aí o raciocínio mais que lógico.
Li agora a pouco, o também óbvio, “a consciência coletiva é uma massa burra”. Ponto! Música, filme, novela, livro... Essas coisas servem para entreter, informar, atingir os sentidos. E é através delas que determinadas mentes e consciências chegam ao coletivo, no entanto, com a intenção de induzir, desinformar e atrofiar os sentidos!
Determinado gênero de livro ganhou a grande massa com um viés “torto” sobre a vida e os caminhos certos para a felicidade, o dinheiro e o amor. Esses livros vendem milhões; a televisão faz sua parte ganhando um bocado disso e ajuda a vender mais uns milhões, nessa ordem a propaganda em outros meios querendo também a sua ponta, ajuda a divulgar a “verdadeira fórmula” da vida plena; esses meios ajudam a validar os conceitos usados nos livros. Por ai mais uma vez o raciocínio.
Por aqui, é preciso atentar para o fato, tradição e cultura se diferenciam de diversão financiada por um grupo A, que domina boa parte da cidade com suas atrações musicais que se beneficiam da preguiça de pensar do povo (por isso as músicas usam tantos refrões, e o mesmo vocabulário e tema). E outra coisa irritante; estilo e moda não significam pessoas usando roupas iguais!
É cansativo andar de encontro ao vento. Mas é a melhor caminhada... Dá para sentir cada passo. Enquanto na outra direção do caminho, não se tem controle sobre o ritmo das passadas, e o vento é tão forte, que até não é preciso algumas vezes pisar o chão...
Para seguir o bonde, ou quem sabe a carroça, não é preciso saber mais do que o que “todo mundo sabe.” Mas a vida pede mais que isso.
A vida pede para ser humano, e, parece, o que “todo mundo” esqueceu, é que a principal qualidade de humano é a racionalidade. Com o que as pessoas têm para oferecer ultimamente, isso está ficando raro.
Os textos deste blog são de minha inteira autoria, excetuando eventuais publicações de autoria de terceiros que são devidamente reconhecidas.
Agradeço, de coração, a visita !



Cinthia Freitas